terça-feira, 18 de novembro de 2008

Carros usados: crise financeira reduz vendas em 50%

por Joarle Magalhães

Enquanto a ajuda financeira de R$ 4 bilhões do Governo federal não chega às montadoras de veículos, a apreensão toma conta do mercado de automóveis. Lojistas da capital e de toda Minas Gerais registraram queda de 35% na venda de carros novos no mês de outubro, se comparado ao desempenho do mês anterior.

No mercado de usados, a situação não é diferente. Em Juiz de Fora, lojistas de revendedoras multimarcas registram números ainda piores. No shopping de carros Center Car, por exemplo, a queda nas vendas é vertiginosa e chega a 50%, na comparação entre os meses de outubro e setembro.

Levantamento da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg) mostra que a euforia do setor automobilístico que alavancou os negócios em setembro foi substituída pelo pessimismo em relação ao futuro financeiro do mercado. Os números revelam que a compra de carros novos no interior de Minas Gerais caiu em cerca de 15%. Na capital, situação mais crítica: redução de 35%. No mercado de usados, desempenho também negativo: queda de 10% nas vendas em todo o Estado. 

O coordenador de treinamento da Assovemg, Lúcio Chimicatti, afirma que outubro é tradicionalmente difícil para o mercado de automóveis, e a previsão era de que as vendas caíssem 3,4%. A crise financeira nos Estados Unidos, no entanto, deixou a situação bem pior. "A coisa que estava preta, agora ficou escura. A crise encolheu o crédito. Tínhamos prazos de vendas dilatados, de até 84 meses, e hoje as financeiras preferem trabalhar com prazo de 36 a 48 meses. Os juros que estavam em 1,5% passaram para 2,5%. Esse aumento causa um impacto enorme no montante final do financiamento", explica Chimicatti.

Crédito, parcelas e juros também foram reduzidos nas revendedoras de Juiz de Fora. De acordo com o dono de uma concessionária de seminovos, Victório Nery Júnior, a taxa de financiamento,
antes da crise, oscilava entre 1,5% e 1,55%. No pior momento, bateu nos 2,5%, mas recuou para os atuais 2%. Os índices incidiram diretamente no movimento dentro das lojas.

No Center Car, que reúne 20 revendedores e possui, em média, 600 carros disponíveis para o consumidor, as vendas caíram pela metade. Em setembro, 180 veículos deixaram o pátio do shopping. No mês seguinte, no entanto, apenas 90 carros foram comercializados. Neste mês, a perspectiva é mais assustadora, porque até o dia 12, apenas 15 carros haviam sido vendidos. A fuga dos clientes é justificada pelas novas exigências de crédito. "Para fechar um financiamento hoje, o consumidor tem que ter uma ficha muito boa, sem falar na entrada, que fica entre 40% e 50% do valor do automóvel. Se pensarmos que 80% da frota são financiados de alguma forma, dá pra ter uma idéia do tamanho do impacto que isso tem no mercado", avalia Lúcio Chimicatti.

Contudo, mesmo que lentamente, o quadro pode mudar. A injeção de R$ 4 bilhões nas montadoras, anunciada pelo Governo federal, dará fôlego novo aos revendedores, já que o crédito acabará refletindo no mercado de seminovos. Prevendo a bonança, os lojistas da cidade preparam taxas competitivas para dezembro. A promessa é de juros a 0,99% no financiamento de veículos usados. Ainda assim, será difícil recuperar a venda de setembro, contabilizada como a segunda melhor de 2008, ficando atrás apenas da de julho.

*texto publicado na edição impressa do JF Hoje em 16 de novembro de 2008.

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