segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Acuado e derrotado nas urnas, Vicentão renuncia

por Joarle Magalhães

Desmoralizado, derrotado nas urnas e acusado de corrupção. Foi assim que Vicente de Paula Olivera, o Vicentão (PTB), pediu, ontem à tarde (08/10/2008), sua renúncia ao mandato de vereador da Câmara Municipal de Juiz de Fora. A saída encerra um ciclo de cinco mandatos consecutivos, mas dá início a nova fase na carreira política do legislador. "A vida não pára por aqui. Vamos largar o PTB e fundar um partido para trabalharmos durante quatro anos e disputar a eleição majoritária nesse município", ameaçou o vereador.

Ele, no entanto, não quis adiantar qual partido pretende fundar e nem quem será o candidato apoiado por ele no segundo turno das eleições. Cabisbaixo, disse que o anúncio será feito em breve, provavelmente na próxima segunda-feira.

No ato de renúncia, Vicentão não poupou críticas ao PTB e culpou o partido pela derrota do último domingo, alegando falta de sustentação política. O vereador teve 2.944 votos (quase mil a menos que nas eleições de 2004) e o partido conseguiu 14.651 votos, número insuficiente para atingir o quociente eleitoral necessário para conseguir uma cadeira do Legisltivo. Dos 20 candidatos com a pior votação, sete eram do PTB.

A renúncia também é o desfecho do caso Koji. Com o afastamento, Vicentão não pode mais ser cassado e os trabalhos da Comissão Processante serão encerrados dentro dos próximos cinco dias. Cumprindo as formalidades, será feita a análise da defesa do vereador, que, por incrível que pareça, apresentou o documento ontem.

Ontem, ele voltou a afirmar que não tem nenhuma ligação com a Construtora Koji e acusou o sindicalista Belarmino Gomes Nogueira de ter mentido em depoimento concedido à Comissão Especial de Ética, no dia 8 de setembro. As declarações de Belarmino, que é o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, foram fundamentais para que a comissão concluísse que, realmente, Vicentão era ligado à Koji e teria favorecido a construtora em 19 editais de licitação da Prefeitura de Juiz de Fora.

Os cinco vereadores da Comissão Especial de Ética foram também alvo da “metralhadora” do ainda petebista. "A comissão não teve cuidado para analisar documentos, só analisou recortes de jornal", disparou.

Vereador por quase 20 anos, Vicentão sempre foi acusado de promover o clientelismo em seus redutos eleitorais, como o Bairro Santa Cândida (onde mora) e o Bairro Ipiranga, local em que está instalado o Centro de Recuperação Juiz de Fora Contra as Drogas, do qual é fundador e presidente de honra. Para ele, o ano de 2008 não foi bom. Sua derrocada começou já no primeiro semestre, quando o PTB afundou na lama, após as duas prisões do ex-prefeito Carlos Alberto Bejani.

Desde então, Vicentão passou por diversos revezes. No dia 15 de julho, ao ser intimado a depor na Polícia Federal, em Belo Horizonte, saiu da delegacia indiciado por formação de quadrilha e corrupção ativa. Na Câmara, foi acusado de quebra de decoro parlamentar, sendo obrigado a renunciar do cargo de presidente da Casa. Além disso, viu ser aberto um processo de cassação, no qual todos os outros vereadores votaram a favor da abertura de uma investigação.

O ciclo de derrotas terminou ontem, após a renúncia. Mas Vicentão não se intimida e promete, convicto, voltar nas próximas eleições: "eu venço até a morte, porque meu espírito está acima de tudo".

*texto publicado na edição impressa do JF Hoje em 9 de outubro de 2008.

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