Anunciado no ano passado por Aécio Neves, investimento de R$ 130 milhões ainda não saiu do papel*
O governador Aécio Neves (PSDB) deixará a chefia do Estado, em 31 de março, sem que seu pacote de investimentos para Juiz de Fora e a Zona da Mata, anunciado em novembro do ano passado, surta efeitos visíveis para o eleitor da região. Quatro meses após a visita do tucano, o Regime Especial de Tributação, que reduz a alíquota de ICMS para 2%, equiparando a tarifa mineira à da Lei Rosinha, do Estado do Rio de Janeiro, ainda não beneficiou empresas no município. O grupo paulista ICEC, que divulgou a vinda para Juiz de Fora na mesma ocasião do decreto do governador, não definiu sequer o terreno onde instalará seu Centro de Soluções em Aço (CSA).
Em novembro, quando a diretoria da organização participou do evento, ao lado de Aécio e do prefeito Custódio Mattos (PSDB), no prédio da Funalfa, a informação era que o início das obras da unidade juizforana ocorreria em janeiro. Agora, a empresa diz que a sede na cidade começa a ser construída a partir de agosto. Data que poderá sofrer nova alteração. Como o terreno não está definido, o procedimento para o licenciamento ambiental também não foi iniciado, o que pode atrasar as obras.

Segundo José Miranda Chaves Neto, diretor executivo do Grupo Elo, responsável pelas negociações do ICEC com a Prefeitura e o governo de Minas, o terreno de 500 mil metros quadrados ainda não foi comprado porque o “projeto está em engenharia com redimensionamento da planta, em função das áreas que foram apresentadas”.
"A empresa está estudando a topografia de três terrenos e adaptando o projeto da fábrica para definir o melhor local. Existe uma equipe de cinco técnicos da ICEC trabalhando no processo e várias visitas e reuniões têm sido feitas com técnicos do governo e da Prefeitura de Juiz de Fora", afirma o diretor.
Reuniões
O secretário de Planejamento de Desenvolvimento Urbano, André Zuchi, explica que o grupo se reuniu por duas vezes na Prefeitura neste ano, com o objetivo de escolher o local. A definição não saiu porque a área está em estudo. Ele diz ainda que há mais de três terrenos possíveis, todos eles na Zona Norte, entre o Distrito Industrial e a Barreira do Trifunfo. Mas Zuchi não revela a localização exata, temendo especulações imobiliárias.
"A empresa está estudando a área e fazendo o trâmite natural de um projeto grande como esse. Estão vendo a melhor forma de adaptar a fábrica às opções disponíveis", esclarece.
No entanto, pelo cronograma do ICEC apresentado em novembro, a previsão era de que as operações de produção fossem iniciadas no primeiro semestre de 2011, já com o CSA construído e a contratação de funcionários formalizada. O projeto é aguardado com ansiedade, pois além de ter sido anunciado em momento estratégico para o governador, prevê investimentos de R$ 130 milhões e a abertura de 547 postos de trabalho diretos e outros 1.500 indiretos.
Outro ritmo
Na contramão do ritmo juizforano, a planta do ICEC planejada para o município de Três Rios (RJ) segue a todo vapor. De acordo com José Miranda, a empresa está concentrada no projeto do interior fluminense, em vistas de ser concluído já em dezembro deste ano. Pelo planejamento, serão duas fábricas na região e o mais provável é que a gerência e diretoria das unidades fique concentrada na Zona da Mata.
"A equipe que está em Três Rios está morando em Juiz de Fora e é possível que grande parte da gestão das fábricas fique aqui", adianta.
Mesmo sem o planejamento local acertado, André Zuchi rebate qualquer especulação de que o grupo de São José do Rio Preto (SP) cancele a vinda para o município.
"Temos um protocolo de intenções assinado. O projeto está seguindo o trâmite normal, mas podem ocorrer atrasos em função das mudanças", justifica.
Dnit pode enviar R$ 50 milhões para obras viárias
No pacote de investimentos trazido por Aécio Neves em novembro, veio também o repasse de R$ 60 milhões (dividido em duas parcelas) a ser usado nas obras viárias para a revitalização do tráfego na região Central de Juiz de Fora. Apesar da verba estar garantida e da Prefeitura ter dado contrapartida de R$ 6,2 milhões, as obras estão sem data para ínicio.
A melhoria do trânsito da cidade foi um dos principais tópicos do programa de governo apresentado por Custódio Mattos nas eleições 2008. Por isso, o empenho do governador em tirar do papel as promessas. No planejamento da Prefeitura, em dois anos, serão construídas duas trincheiras sob a linha férrea (na Praça dos Três Poderes e na Rua Benjamim Constant), três pontes sobre o Rio Paraibuna (Praça dos Três Poderes, Tupinambás e Rua Antônio Lagrotta) e dois viadutos (Tupinambás e Rua Mariano Procópio). O projeto inclui a iluminação da Avenida Rio Branco, reurbanização das avenidas Getúlio Vargas e Andradas, e a reestruturação da Juscelino Kubitschek (JK).
Entretanto, esse planejamento está prestes a ser alterado. De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, a Prefeitura pode conseguir adicional de R$ 50 milhões do Governo Federal para executar os projetos relacionadas à transposição da linha férrea.
"O lançamento das licitações seria em fevereiro, mas houve pesquisa e uma oferta do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Trânsito) para financiar a transposição. Por isso, suspedemos as licitações", revela.
No último dia 24 de fevereiro, Rodrigues e o prefeito Custódio Mattos estiveram em Brasília, negociando o repasse no Ministério dos Transportes, mas o valor ainda não está garantido. Se aprovado, a Secretaria de Obras terá que reprogramar o plano viário, transferindo parte dos R$ 60 milhões para outros projetos.
"O que está planejado não muda. Vamos usar a verba do Estado para outras obras, como a recuperação da Rio Branco e da Avenida Independência, e a construção de mais pontes sobre o Rio Paraibuna".
Já a reurbanização das avenidas Getúlio Vargas e Andradas deve começar a sair do papel nesse primeiro semestre. Segundo Rodrigues, os editais estão em análise na Comissão Permanente de Licitação (CPL) e devem ser publicados até o final de março. A intenção da Prefeitura é iniciar os trabalhos antes de julho, de maneira a cumprir o prazo da Justiça Eleitoral, que proíbe a execução e inauguração de obras públicas a três meses das eleições.
*reportagem publicada na edição do JF Hoje de 1 de março de 2010. Foto de João Schubert.

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