sexta-feira, 9 de abril de 2010

Morte de modelo brasileira que vivia no Uruguai é marcada por mistério

Em 16 de março, Gia Goerlich caiu do décimo quinto andar do prédio onde morava com o namorado em Montevidéu*


Um mistério envolve a morte da modelo brasileira Regina Goerlich, 30 anos, mais conhecida como Gia, que morava em Juiz de Fora, e estava, há seis meses, em Montevidéu, no Uruguai. No dia 16 de março, ela despencou do 15º andar do prédio onde vivia com o namorado Leonardo Rivas, 32 anos, numa região nobre da capital uruguaia. Desde então, a mãe de Gia, Regina Barbosa Carvalho, 60, busca informações sobre a morte e tenta trazer, sem sucesso, as cinzas da filha para o Brasil. O corpo da modelo foi cremado em 24 de março, sem o consentimento da mãe.

A

autorização foi dada pelo pai da modelo, o empresário alemão Wolfgang Goerlich, de 74 anos, com quem o Consulado Brasileiro em Montevidéu fez contato para informar o falecimento. Goerlich e Regina estão separados judicialmente desde 2002 e mal se falam. O empresário reside em Petrópolis, e Regina vive em Juiz de Fora desde 2004. Segundo a mãe, o ex-marido estaria dificultando o traslado dos restos mortais para o Brasil, porque se recusa a pagar pelo serviço.

"É um absurdo um pai não ter trazido as cinzas para a mãe enterrar. Não tenho condições de ir ao Uruguai e sequer recebi o atestado de óbito da minha filha", lamenta.

Wolfgang, que é presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), está em Hong Kong, na Ásia, onde foi participar de uma cerimônia do Conselho Internacional da Indústria Curtidora. A viagem estaria dificultando o contato com o empresário. Na tarde do dia 8 de abril, a reportagem tentou falar com ele pelo telefone, mas as ligações não foram completadas.

No Uruguai, as cinzas de Gia encontram-se na funerária Moro. Segundo um dos funcionários do local, o traslado ainda não foi solicitado pelo pai da modelo. No Consulado em Montevidéu, a informação é de que as cinzas só poderão ser enviadas para Juiz de Fora após o pagamento do serviço, que cabe à família. Além disso, só ontem (8 de abril), 23 dias após a morte, é que as autoridades brasileiras foram oficialmente informadas do falecimento.

Segundo o Consulado, o óbito foi constatado pela polícia uruguaia, mas o fato só poderia ser oficialmente informado ao governo brasileiro por meio do atestado de óbito. Tanto o pai como a mãe foram chamados a Montevidéu para assinar a certidão, mas nenhum dos dois pôde ir, criando um impasse. No dia 8, Wolfgang teria contactado a funerária e pedido a um dos funcionários que fosse ao Consulado assinar o atestado. Com isso, o documento agora deve ser enviado em duas vias para o Brasil, sendo uma destinada ao pai e outra à mãe de Gia.

A cremação do corpo ocorreu porque a polícia de Montevidéu não poderia mantê-lo no necrotério. Em relação ao envio das cinzas, um dos diplomatas do Consulado afirma que a única maneira de Regina conseguir o envio é acionando judicialmente o ex-marido.

Queda pode ter acontecido após discussão

A mãe conta que a queda da filha foi acidental. No dia da morte, a modelo tinha saído sem o namorado para um jantar e chegou em casa às 3h da manhã. Leonardo Rivas estava em casa e ouviu a namorada chegar. Ele ficou no quarto, à espera da modelo, quando ouviu um barulho vindo da varanda. Ao checar o que havia ocorrido, constatou que Gia tinha caído da cobertura do prédio. "Acredito que tenha sido mesmo um acidente, porque minha filha usava salto altíssimo e a grade da varanda era baixa. Ela pode ter chegado bêbada e se desequilibrado", afirma a mãe, que conhecia o apartamento onde a filha morava por fotos.

Mas a polícia de Montevidéu trabalha também com a hipótese de homicídio. Segundo vizinhos, o casal teria discutido e trocado insultos pouco antes do acidente acontecer. Na discussão, Gia teria gritado e se referido a um suposto noivo chamado Bruno. "Bruno era o nome do gato adotado por eles. Não acredito que essa discussão tenha acontecido", descarta Regina.

Rivas chegou a ser preso, mas foi liberado um dia depois. No depoimento à polícia, contou ao delegado a mesma versão defendida por Regina. "Minha filha contava que dos três namorados com quem morou junto, Leonardo era o único que a dava paz. Ele sempre foi muito delicado, eles se amavam muito".

Gia trabalhou como modelo e atriz nos Estados Unidos durante alguns anos. Lá, fez ponta em filmes e foi modelo fotográfica de revistas de moda. Tinha voltado ao Brasil em 2008, quando veio morar com a mãe em Juiz de Fora. Na cidade, participou de ensaios fotográficos, mas, segundo Regina, ela não pretendia continuar aqui. A modelo conheceu Leonardo pela internet, há quase um ano, e começou a namorá-lo. O técnico em informática e design veio à Minas Gerais algumas vezes, quando Gia o encontrou pessoalmente.

É possível acessar o perfil da brasileira em páginas de relacionamento como Orkut e Facebook, onde há fotos profissionais publicadas. Ela trabalhava como modelo desde os 13 anos. Com 1,73m, loira e de olhos verdes, a mãe sabia que a filha tinha problemas com drogas e sofria de anorexia, mas a considerava uma “barbie”.

*reportagem publicada na edição do JF Hoje de 9 de abril de 2010.

Foto: arquivo pessoal.


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