por Joarle Magalhães
Debaixo de um grande tumulto, a Câmara Municipal de Juiz de Fora aprovou, no início da noite de ontem (18/08/2008), por unanimidade, a criação da Comissão Especial de Ética para investigar as denúncias de envolvimento do vereador Vicente de Paula Oliveira (Vicentão-PTB) com a Koji Empreendimentos e Construtora Ltda., empresa suspeita de ter sido favorecida em 18 licitações da Prefeitura Municipal entre 2005 e 2008. Diante do plenário lotado, foram definidos, por sorteio, os cinco integrantes responsáveis pela investigação: Eduardo Novy (PSC), Romilton Faria (DEM), João do Joaninho (DEM), Flávio Cheker (PT) e José Sóter Figueirôa (PMDB). Os vereadores terão 45 dias para apurar as suspeitas de “prática de infrações atentatórias à ética e ao decoro parlamentar”. Se comprovadas as irregularidades, Vicentão pode perder o mandato. A comissão tem as mesmas prerrogativas de uma CPI e pode ter o prazo de investigação prorrogado por mais 30 dias.
Iniciada às 17h, a reunião foi marcada por uma grande confusão entre partidários do vereador petebista e integrantes do movimento “Fora Vicentão”. Às 17h35min, o presidente da casa, Francisco Canalli (PMDB), pediu para que a sessão fosse interrompida por dez minutos. Foi nesse momento que os dois grupos começaram a se desentender, trocando insultos e agressões. A Polícia Militar foi chamada para acalmar os ânimos, mas permaneceu apenas por 15 minutos no local.
Três integrantes do “Fora Vicentão” afirmaram terem levados chutes e empurrões de dois assessores do vereador. Um deles, o professor Rubens Airton Ragone Martins, mostrou o ferimento. “Fui agredido na perna pelo pessoal do Vicentão. Juiz de Fora está na boca do estado de Minas como símbolo de corrupção, não podemos ficar quietos diante disso”, declarou.
Outra militante afirmou estar ameaçada de morte e pediu proteção policial. Já o assessor do petebista, Genésio da Silva, negou que ter feito as agressões. “Não estamos instigando a violência, estamos defendendo o nosso vereador”, disse.
Mais de 30 minutos depois de paralisada a reunião, os vereadores voltaram ao plenário para definir a criação da comissão. Vicentão pediu a palavra e fez um discurso em sua defesa. “Não tem fato, não existe documento que prove que eu sou dono da construtora Koji”. O petebista também sustentou que os oito vereadores que assinaram a representação pedindo as investigações não poderiam julgá-lo, argumento que já havia sido apresentado à Comissão de Exame da Denúncia, criada para avaliar as acusações feitas pela imprensa contra o vereador.
Em missa lotada, padre convoca Vicentão para falar
No último sábado (16/08/2008), o vereador também provocou polêmica em uma festa religiosa na localidade de Paula Lima, zona rural de Juiz de Fora. Durante a missa em homenagem a Nossa Senhora da Assunção, o vereador foi convocado pelo padre Mário Arruda para falar a cerca de 800 pessoas que assistiam à cerimônia. “Antes da bênção, o padre começou a discursar sobre a importância do voto e das eleições. Depois falou bem do Vicentão e o chamou para o altar. Não gostei e saí da igreja”, contou uma moradora da Rua da Passagem, em Paula Lima, que preferiu não se identificar.
Outra pessoa, que reside na Rua Vicente Gávio e ficou até o final da missa, disse que a população ficou indignada com a atitude do padre e não deixou que Vicentão falasse. “Vários saíram da igreja e outros começaram a bater palmas para não deixar ele (Vicentão) falar. Fiquei até o final, porque queria ver a coroação de Nossa Senhora”, acrescentou.
Padre Mário, no entanto, deu outra versão para o caso. “Vicentão não foi convocado para falar de questões políticas. Foi chamado por mim para fazer um convite para a inauguração de um birô na Barreira do Triunfo, bairro próximo a Paula Lima. “Pra mim, dentro da igreja, Vicentão é um cidadão, não um candidato. O pecado e as idéias estão na cabeça de cada um. Eu não mando na cabeça de ninguém” - justificou o sacerdote.
O vereador petebista é acusado pela Polícia Federal de formação de quadrilha e corrupção ativa e teve a candidatura negada pela Justiça Eleitoral em primeira instância. Procurado pelo JF HOJE, o arcebispo da Arquidiocese de Juiz de Fora, Dom Eurico dos Santos Veloso, informou, por meio de sua assessoria, que já está “tomando as providências cabíveis”.
*texto publicado na versão impressa do JF Hoje em 19 de agosto de 2008.

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